08 Junho 2008

Lisboa 16 - Detalhes da Cidade - 3

Nós sabemos do mar a cor violenta
e o sal dentro das veias a latir.
O dia é uma ave, lenta
voando sobre o Tejo. Até cair.

E nas mãos guardamos essa ave
que nos tinge de sangue o litoral.
A cor dos nossos olhos só a sabem
os que nascem aqui. Em Portugal.

Os que lutam às portas de Lisboa
respirando nas ondas e no tempo
este azul tão selvagem que magoa
as gaivotas prenhes pelo vento.

Os que tombam às portas da cidade
sobre um lençol de feridas e de fogo.
Sem nome. Sem culpa. Sem idade.
Que assim morrem os homens deste povo.

Joaquim Pessoa

Audília

Chapéus

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